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7 Coisas Surpreendentes que a Ciência Sabe Sobre Aprender (e que a Escola Provavelmente Não Lhe Ensinou)

7 Coisas Surpreendentes que a Ciência Sabe Sobre Aprender (e que a Escola Provavelmente Não Lhe Ensinou)

Já alguma vez sentiu que, por mais que se esforce, os métodos de estudo que lhe ensinaram na escola simplesmente não funcionam? Horas a fio a ler apontamentos, a sublinhar parágrafos inteiros, a tentar memorizar tudo na véspera de um exame, apenas para sentir que a informação se evapora pouco tempo depois. Esta frustração é universal, mas o que talvez não saiba é que a culpa não é sua — é dos métodos.

A neurociência e a psicologia cognitiva têm vindo a revelar, nas últimas décadas, que muitas das nossas intuições sobre como aprendemos estão, na verdade, erradas. O que parece produtivo, como reler matéria vezes sem conta, pode ser uma perda de tempo. O que parece um fracasso, como cometer um erro, é na verdade o motor da aprendizagem.

Neste artigo, vamos desvendar sete dos segredos mais contraintuitivos e impactantes do seu cérebro. Prepare-se para desafiar tudo o que pensava saber sobre aprender e para descobrir estratégias baseadas em ciência que podem transformar a forma como estuda, trabalha e adquire novas competências para o resto da vida.

1. A sua tática de estudo favorita — reler e sublinhar — é uma ilusão de competência.

Comecemos por um dos mitos mais enraizados: a ideia de que reler e sublinhar são formas eficazes de estudar. Embora sejam as estratégias mais populares, a ciência mostra que são surpreendentemente ineficazes. O motivo? Elas criam o que os psicólogos cognitivos chamam de “ilusão de competência”.

Esta ilusão é uma armadilha mental em que o cérebro confunde familiaridade com domínio. Quando relê um texto, as palavras tornam-se familiares. O seu cérebro pensa: “Ah, isto eu já conheço”. Contudo, conhecer não é o mesmo que saber. Pense nisto: quantas vezes já viu uma moeda de um euro? Provavelmente, milhares. Mas conseguiria desenhar todos os seus detalhes de memória? Dificilmente. A repetição passiva cria familiaridade, mas não garante a aprendizagem.

A alternativa é a aprendizagem ativa. Em vez de se limitar a absorver informação, force o seu cérebro a recuperá-la. Esta técnica, conhecida como prática de lembrar (retrieval practice), é muito mais poderosa. O esforço ativo de “puxar” uma informação da memória fortalece as conexões neuronais associadas a ela.

Como aplicar isto na prática?

  • Autoteste-se: Em vez de reler um capítulo, feche o livro e tente resumir as ideias principais com as suas próprias palavras.
  • Ensine a outra pessoa: Apresente e exponha as principais ideias a um familiar ou amigo. O ato de ensinar força-o a organizar e a clarificar o seu próprio conhecimento.
  • Crie fichas de estudo: Escreva uma pergunta de um lado e a resposta do outro. O ato de tentar responder à pergunta antes de virar a ficha é um exercício de recuperação de memória.
  • Grave um áudio: Use o seu telemóvel para gravar um resumo do que aprendeu e ouça-o alguns dias depois, tentando identificar lacunas no seu entendimento.

Este esforço pode parecer mais difícil do que a simples releitura, mas é precisamente essa dificuldade que torna a aprendizagem mais duradoura e eficaz. Este esforço é o antídoto para a ilusão de competência, pois, como veremos, é precisamente ao forçarmo-nos a lembrar e a confrontar os nossos erros que o cérebro verdadeiramente aprende.

2. O seu cérebro recicla-se para aprender novas competências — e isso tem um custo.

O cérebro humano é uma obra-prima da evolução, mas não foi projetado de raiz para invenções culturais recentes como a leitura ou a matemática. Então, como é que aprendemos estas competências? O neurocientista Stanislas Dehaene chama a este processo “reciclagem neuronal”.

A ideia é fascinante: em vez de criar áreas cerebrais completamente novas, o cérebro readapta circuitos neuronais que evoluíram para outras funções. O exemplo mais claro é a aprendizagem da leitura. Para reconhecer letras e palavras, o cérebro recicla uma área no córtex visual (no hemisfério esquerdo) que, nos primatas e em humanos analfabetos, é especializada no reconhecimento de faces e objetos.

Esta reciclagem tem uma consequência surpreendente: há uma competição por “espaço” cortical. À medida que uma criança se torna mais proficiente na leitura, a ativação para as palavras escritas aumenta nessa área do hemisfério esquerdo. Como resultado, a função original — o reconhecimento de faces — é “empurrada” para a área simétrica no hemisfério direito.

“Portanto, toda a diversidade da cultura humana precisa encaixar-se nas restrições impostas por nossa natureza neuronal.”

Aprender não é, portanto, um ato abstrato de acumular conhecimento. É uma negociação física e cerebral, na qual cada nova competência cultural tem de encontrar um lugar dentro de uma arquitetura antiga, definida pela evolução. É este o verdadeiro “custo” da aprendizagem: uma reorganização que compete por recursos num espaço neuronal finito.

3. Os erros não são fracassos. São o motor da sua aprendizagem.

Desde cedo, o sistema escolar ensina-nos a temer o erro. Uma nota baixa é vista como um fracasso, uma mancha no nosso percurso. No entanto, a neurociência revela uma verdade radicalmente diferente: o seu cérebro é uma máquina de previsões que aprende com a surpresa. O erro não é um obstáculo à aprendizagem; é a sua condição fundamental.

O mecanismo é um dos “quatro pilares da aprendizagem” de Dehaene. O cérebro gera constantemente um modelo ou uma previsão sobre o mundo. De seguida, age e compara o resultado com a previsão inicial. Se tudo acontece como esperado, não há surpresa e, portanto, nada de novo a aprender. Contudo, se há uma diferença — uma violação das nossas expectativas —, o cérebro gera um “sinal de erro”. É este sinal de surpresa que o força a atualizar o seu modelo interno. A aprendizagem acontece precisamente nesse momento de correção.

Neste contexto, o sistema de notas escolares, tal como é frequentemente aplicado, é uma forma de feedback particularmente pobre. Muitas vezes, chega tarde demais, é impreciso (agrupa vários tipos de erro numa única nota) e está carregado de estigma social e ansiedade — emoções que, comprovadamente, inibem a plasticidade neuronal e prejudicam a aprendizagem. O erro só é produtivo quando é informativo e nos ajuda a corrigir o nosso modelo mental, não quando é usado como punição.

“É só tentando continuamente que você acaba acertando… Em outras palavras, quanto mais você falha, mais é provável que acerte.”

4. O sono não é para os fracos; é uma das suas ferramentas de estudo mais potentes.

O estudante que passa a noite em “direta” antes de um exame é um herói trágico do folclore académico. Acreditamos que sacrificar o sono em prol de mais horas de estudo é uma troca vantajosa. A ciência mostra que é exatamente o oposto.

O sono é um pilar essencial da aprendizagem, desempenhando um papel crucial na consolidação da memória. Enquanto dormimos, o nosso cérebro está longe de estar inativo. Pelo contrário, está a trabalhar arduamente: ele reproduz ativamente os eventos e as informações importantes do dia, transferindo-as do hipocampo (a nossa memória de curto prazo) para o neocórtex (o armazém de longo prazo).

Esta repetição noturna acontece a uma velocidade acelerada, fortalecendo as sinapses e integrando o novo conhecimento com as memórias existentes. É durante o sono que o cérebro organiza a informação, descobre padrões ocultos e até encontra soluções para problemas que nos escaparam durante o dia — o famoso “momento eureka” que muitas vezes ocorre ao acordar. A investigação é clara: dormir após aprender não só previne o esquecimento, como melhora ativamente o desempenho no dia seguinte, sem qualquer treino extra.

Para além de uma noite completa, até as micro sonecas durante o dia demonstraram ter um poder surpreendente. Num estudo alemão, uma sesta de apenas seis minutos foi suficiente para ajudar os participantes a recordar melhor uma lista de palavras que tinham memorizado anteriormente. Abdicar do sono para estudar mais é como tentar encher um balde furado: a maior parte do esforço será em vão.

5. Você não é um “aprendiz visual” ou “auditivo”. Os estilos de aprendizagem são um mito.

É uma ideia sedutora: cada um de nós tem um “estilo de aprendizagem” preferido — visual, auditivo, leitura/escrita ou cinestésico (VARK) — e, se o ensino for adaptado a esse estilo, aprenderemos melhor. Apesar de intuitivamente atraente e extremamente popular (em 2014, mais de 90% dos professores em vários países acreditavam nisto), a teoria dos estilos de aprendizagem não tem qualquer fundamento científico.

Dezenas de estudos não encontraram qualquer prova de que adaptar o método de ensino ao estilo preferido de um aluno melhore os resultados da aprendizagem.

Isto não nega que as pessoas tenham aptidões diferentes — algumas leem melhor, outras têm um ouvido mais apurado. A neurociência reconhece estas diferenças. O que a ciência refuta é a ideia de que o ensino deva ser adaptado à preferência do aluno. Pelo contrário, o melhor método depende sempre da natureza do conteúdo: não se pode “visualizar um sotaque” nem “ouvir” a geometria de uma molécula. A melhor forma de aprender é sempre aquela que se alinha com a matéria em si, não com um suposto “estilo” pessoal.

Este mito, embora inofensivo na aparência, pode ser prejudicial ao limitar as estratégias que os alunos estão dispostos a tentar, fechando-os numa caixa que a ciência já demonstrou não existir.

6. A curiosidade não é um traço de personalidade, é um algoritmo que pode ser cultivado.

Muitas vezes, pensamos na curiosidade como um traço de personalidade fixo: ou se tem, ou não se tem. A ciência cognitiva, no entanto, vê a curiosidade de uma forma muito diferente: é um algoritmo fundamental, um mecanismo de regulação que guia o nosso cérebro para oportunidades de aprendizagem.

A curiosidade surge quando o nosso cérebro deteta uma “lacuna de conhecimento” — a diferença entre o que sabemos e o que percebemos que podemos saber. Este algoritmo não se interessa por tudo de igual forma. A curiosidade segue uma curva em forma de sino:

  • Não nos interessamos por coisas demasiado simples ou que já dominamos (são aborrecidas).
  • Não nos interessamos por coisas demasiado complexas ou que nos parecem impossíveis de compreender (são assustadoras).

A curiosidade floresce no ponto ideal: em desafios que são novos, mas que parecem acessíveis. É o desejo de preencher uma lacuna que está ao nosso alcance.

Esta perspetiva tem implicações profundas para a educação. Um ambiente escolar pode inadvertidamente “matar” a curiosidade de duas formas: ou por não apresentar estímulos suficientemente desafiadores, levando ao tédio, ou por punir as tentativas de exploração dos alunos, associando a iniciativa ao medo e à ansiedade. Cultivar a curiosidade é, portanto, uma questão de calibrar o desafio e recompensar a exploração.

7. O seu cérebro nasceu para aprender socialmente.

De todos os pilares da aprendizagem, talvez o mais distintamente humano seja a sua natureza profundamente social. Enquanto outras espécies aprendem primariamente através da experiência individual, grande parte da nossa aprendizagem depende de uma caraterística única: a “pedagogia natural”.

Desde os primeiros meses de vida, o nosso cérebro está sintonizado com sinais sociais. Prestamos atenção àquilo em que os outros prestam atenção (um fenómeno chamado atenção compartilhada) e aprendemos de forma muito mais eficaz quando percebemos que alguém está a tentar ensinar-nos algo intencionalmente.

O exemplo mais poderoso disto vem de estudos sobre a aquisição da linguagem. Num estudo famoso, bebés norte-americanos foram expostos a mandarim. Um grupo interagiu com um falante nativo que lhes lia e brincava com eles. Outro grupo recebeu exatamente a mesma quantidade de exposição através de um vídeo de alta qualidade. Os resultados foram impressionantes: os bebés que interagiram com a pessoa aprenderam a distinguir os sons do mandarim. Os que viram o vídeo não aprenderam absolutamente nada.

A interação humana, o contacto visual e a perceção da intenção do outro funcionam como um amplificador para os circuitos de aprendizagem do cérebro. Este facto sublinha a importância fundamental da relação professor-aluno e da aprendizagem colaborativa.

“A maior parte das informações que aprendemos, devemos mais aos outros, do que à nossa experiência pessoal.”

Conclusão

Aprender a aprender é talvez a competência mais importante do século XXI. No entanto, as nossas intuições sobre como fazê-lo são, muitas vezes, falíveis. Confiamos em estratégias ineficazes, tememos os erros que nos ensinam e negligenciamos ferramentas poderosas como o sono.

A boa notícia é que a ciência oferece-nos um roteiro mais fiável e eficaz. Ao compreender como o nosso cérebro realmente funciona — através da prática de lembrar, da reciclagem neuronal, do feedback de erros, da consolidação noturna e da interação social —, podemos abandonar os mitos e adotar estratégias que funcionam de verdade. Deixar de ser um aprendiz frustrado e tornar-se um aprendiz eficiente não é uma questão de talento inato, mas de conhecimento e prática.

Agora que conhece estes segredos do seu cérebro, que pequena mudança irá fazer hoje para aprender melhor amanhã?

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